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Observabilidade: o que é, como funciona, vantagens e como implementar

Em ambientes de TI, prevenir incidentes, acompanhar continuamente os sistemas e analisar informações são práticas essenciais para empresas que buscam fortalecer a governança de TI, a segurança de rede e a continuidade das operações. Porém, tão importante quanto monitorar o que acontece é compreender o que está por trás dos dados gerados pelos sistemas e identificar rapidamente a causa de possíveis problemas. É nesse contexto que a observabilidade ganha destaque. 

O termo “observabilidade” tem origem na teoria de controle, área da engenharia e da matemática aplicada à automação, desenvolvida pelo engenheiro húngaro-americano Rudolf E. Kálmán em meados da década de 1960. Inicialmente, o conceito estava relacionado à capacidade de compreender o estado interno de um sistema a partir das informações disponíveis sobre suas saídas. Com o avanço da tecnologia, essa ideia passou a ser aplicada também à área de TI, especialmente em ambientes cada vez mais distribuídos e complexos. 

Na prática, a observabilidade permite analisar dados gerados por aplicações e infraestruturas para entender seu comportamento, identificar anomalias, investigar incidentes e descobrir suas possíveis causas. Continue a leitura! 

O que é observabilidade?

Observabilidade é a capacidade de compreender o estado interno e o comportamento de uma aplicação, infraestrutura ou ambiente de TI a partir dos dados gerados durante sua operação. 

Em termos práticos, uma estratégia de observabilidade coleta, organiza, correlaciona e analisa dados de telemetria para oferecer contexto sobre o funcionamento dos sistemas. Isso permite responder perguntas como: 

  • Por que uma aplicação ficou lenta? 
  • Qual serviço está causando aumento na latência? 
  • Qual componente originou determinado erro? 
  • Quais sistemas foram afetados por uma falha? 
  • O problema está relacionado à aplicação, ao banco de dados, à rede ou à infraestrutura? 
  • Qual foi o impacto do incidente para os usuários? 
  • Existe algum comportamento anormal que possa indicar uma futura falha? 

Essa capacidade é especialmente importante em ambientes nos quais diversos sistemas dependem uns dos outros. Sem contexto, um alerta pode apenas indicar que algo está errado. Com observabilidade, a equipe consegue investigar por que aquilo aconteceu e quais relações existem entre os diferentes eventos. 

Não deixe de conferir: Como identificar vulnerabilidade em redes corporativas? 6 métodos! 

Como funciona uma ferramenta de observabilidade?

Uma ferramenta de observabilidade normalmente atua em um fluxo que envolve coleta, armazenamento, processamento, correlação, visualização e análise dos dados. O objetivo é transformar grandes volumes de informações técnicas em indicadores úteis para as equipes responsáveis pela operação. 

Coleta de dados de infraestrutura e aplicações 

Uma ferramenta que observa um ambiente de TI precisa, antes de tudo, ter acesso aos dados produzidos por seus componentes. Esses dados podem ser coletados de servidores, storages, máquinas virtuais, redes, bancos de dados, aplicações, APIs, containers, serviços em nuvem e outros recursos tecnológicos. 

Dependendo da arquitetura utilizada, a coleta pode ocorrer por meio de agentes, integrações, APIs, exporters, mecanismos de instrumentação ou outros métodos compatíveis com cada ambiente. O mais importante é garantir que os dados relevantes sejam coletados de forma consistente e possam ser analisados posteriormente. 

Logs, métricas e traces: quais são os pilares da observabilidade? 

A observabilidade é tradicionalmente estruturada sobre três tipos principais de telemetria: logs, métricas e traces. Cada um fornece uma perspectiva diferente sobre o comportamento do ambiente. 

  • Logs: registram eventos ocorridos em sistemas e aplicações. Podem conter informações como mensagens de erro, alterações de estado, autenticações, exceções e operações executadas. Logs estruturados, geralmente em formatos como JSON, facilitam a consulta, filtragem e correlação das informações; 
  • Métricas: são valores numéricos coletados ao longo do tempo e utilizados para representar o estado ou desempenho de um recurso. Exemplos incluem utilização de CPU e memória, latência, taxa de erros, throughput e quantidade de requisições por segundo; 
  • Traces: representam o percurso de uma requisição ou transação dentro de uma aplicação, permitindo acompanhar sua execução entre diferentes serviços e componentes. Em arquiteturas distribuídas, os traces são fundamentais para identificar em qual etapa de um fluxo ocorreu uma falha ou aumento de latência. 

Embora possam ser analisados individualmente, o maior valor está na utilização conjunta desses sinais. Uma métrica pode indicar um aumento na latência, enquanto um trace ajuda a localizar o serviço responsável pelo atraso e os logs podem apresentar o erro específico ocorrido naquele componente. 

Correlação e análise dos dados 

Depois da coleta, os dados precisam ser organizados e relacionados. A correlação permite associar eventos de diferentes fontes e identificar padrões que poderiam passar despercebidos quando cada informação é analisada de forma isolada. 

Uma elevação na utilização de CPU, por exemplo, pode coincidir com um aumento no número de requisições, erros em uma aplicação ou alteração em determinado serviço. Ao relacionar essas informações, a equipe consegue construir uma visão mais ampla do incidente e reduzir o tempo necessário para investigar sua origem. 

Identificação e resolução de incidentes 

Com os dados centralizados e correlacionados, as equipes podem acompanhar alertas, investigar comportamentos anormais e priorizar incidentes de acordo com sua gravidade e impacto. O processo pode envolver: 

  • Identificação de uma anomalia ou evento; 
  • Geração de alerta; 
  • Análise dos dados relacionados; 
  • Identificação da origem ou causa provável; 
  • Avaliação do impacto; 
  • Atuação para corrigir o problema; 
  • Acompanhamento do ambiente após a correção; 
  • Análise posterior para evitar a recorrência. 

Dessa forma, a observabilidade contribui não apenas para detectar problemas, mas também para acelerar a investigação e aumentar a capacidade de resposta da operação de TI. 

Quais são as vantagens da observabilidade para as empresas? 

Uma estratégia de observabilidade bem estruturada pode gerar benefícios técnicos e operacionais para diferentes áreas da organização. 

1. Identificação mais rápida de falhas 

A visibilidade sobre métricas, logs, traces e eventos facilita a identificação de comportamentos fora do padrão. Em vez de depender exclusivamente de reclamações de usuários ou de verificações manuais, a equipe pode acompanhar indicadores continuamente e agir diante de sinais de degradação. 

2. Redução do tempo de indisponibilidade 

Quanto mais rápido um incidente é identificado e investigado, maior tende a ser a capacidade da equipe de reduzir seus impactos. A observabilidade contribui para diminuir o tempo gasto procurando informações em diferentes ferramentas e fontes. 

3. Maior visibilidade sobre a infraestrutura de TI 

Servidores, redes, aplicações, bancos de dados e outros componentes podem ser acompanhados de maneira mais integrada. Essa visão facilita a compreensão das dependências existentes no ambiente e ajuda a identificar gargalos ou pontos críticos. 

4. Melhoria da experiência do usuário 

Problemas de performance nem sempre resultam em uma indisponibilidade completa. Uma aplicação pode continuar funcionando, mas apresentar lentidão, erros intermitentes ou falhas em determinadas funcionalidades. A observabilidade ajuda a identificar esses sinais antes que eles se transformem em problemas maiores para os usuários. 

5. Otimização da performance 

Os dados coletados podem ser utilizados para identificar gargalos, analisar consumo de recursos e avaliar o comportamento das aplicações. Com essas informações, as equipes conseguem tomar decisões mais embasadas sobre capacidade, configuração e otimização dos ambientes. 

6. Apoio à tomada de decisões 

Observabilidade também pode fornecer informações úteis para decisões de arquitetura, infraestrutura, capacidade e investimentos em tecnologia. Em vez de analisar o ambiente apenas com base em percepções, gestores e equipes técnicas podem utilizar dados históricos e indicadores operacionais para orientar suas decisões. 

Observabilidade x monitoramento: qual é a diferença? 

Embora sejam conceitos relacionados, monitoramento e observabilidade não são sinônimos. O monitoramento está associado ao acompanhamento de indicadores previamente definidos para identificar se determinado recurso está funcionando conforme o esperado. 

Por exemplo, uma ferramenta de monitoramento pode gerar um alerta quando a utilização de CPU ultrapassar determinado limite ou quando um servidor deixar de responder. A observabilidade amplia essa abordagem ao buscar responder perguntas sobre o comportamento interno do sistema e as possíveis causas dos problemas. De forma simplificada:  

  • Monitoramento: “O que está acontecendo?” 
  • Observabilidade: “Por que isso está acontecendo e qual é o impacto?” 

Isso não significa que a observabilidade substitui o monitoramento. Na realidade, as duas abordagens são complementares. O monitoramento fornece indicadores e alertas importantes para a operação. A observabilidade adiciona contexto, correlação e capacidade de investigação. 

Quais são os principais casos de uso da observabilidade? 

A observabilidade pode ser aplicada em diferentes cenários de TI, desde a infraestrutura até as aplicações que sustentam processos críticos do negócio. 

  • Gestão de incidentes em tempo real: permite acompanhar eventos e comportamentos anormais, facilitando a identificação e a investigação de incidentes; 
  • Otimização de performance e APM: a Application Performance Monitoring (APM) utiliza dados de aplicações para acompanhar desempenho, disponibilidade, erros e outros indicadores; 
  • Observabilidade em ambientes de cloud: em ambientes de nuvem, os recursos podem ser distribuídos entre diferentes serviços, regiões e componentes; 
  • Observabilidade em ambientes híbridos e multicloud: empresas que utilizam infraestrutura própria combinada com serviços de diferentes provedores de nuvem precisam lidar com ambientes heterogêneos; 
  • Observabilidade de aplicações: permite acompanhar o comportamento de aplicações, APIs e serviços, identificando erros, lentidão, falhas e alterações de desempenho; 
  • Observabilidade de redes e infraestrutura: servidores, dispositivos de rede, máquinas virtuais, armazenamento e outros componentes podem ser acompanhados por meio de indicadores de disponibilidade, capacidade e desempenho.   

Observabilidade e segurança: como os conceitos se relacionam? 

Observabilidade e segurança são disciplinas diferentes, mas podem trabalhar de maneira complementar. 

Os dados produzidos pela infraestrutura e pelas aplicações podem ajudar a identificar comportamentos anormais, acessos incomuns, alterações inesperadas e outros eventos que merecem investigação. Por isso, integrar informações de infraestrutura, aplicações e segurança pode ampliar o contexto disponível para as equipes responsáveis pela operação. 

É importante destacar, entretanto, que observabilidade não substitui ferramentas e processos específicos. Ela deve fazer parte de uma estratégia mais ampla de cibersegurança, governança e continuidade operacional. 

Quais métricas devem ser acompanhadas em uma estratégia de observabilidade? 

As métricas mais importantes dependem do ambiente e dos objetivos da empresa. Entre os indicadores frequentemente acompanhados estão: 

  • Disponibilidade de servidores e aplicações; 
  • Utilização de CPU, memória e armazenamento; 
  • Latência de aplicações e APIs; 
  • Taxa de erros; 
  • Volume de requisições; 
  • Throughput; 
  • Disponibilidade de bancos de dados; 
  • Desempenho de consultas; 
  • Tráfego de rede; 
  • Utilização de recursos; 
  • Quantidade e severidade de incidentes; 
  • Tempo de resposta e recuperação. 

Em aplicações, também pode ser interessante acompanhar indicadores relacionados à experiência do usuário e às jornadas consideradas críticas para o negócio. 

Conte com quem entende de observabilidade: Trade Technology! 

Contar com uma estratégia adequada de observabilidade pode fazer a diferença para empresas que precisam manter seus ambientes de TI disponíveis, performáticos e preparados para responder rapidamente a incidentes. 

A Trade Technology oferece o Trade Watch, plataforma voltada ao monitoramento inteligente de infraestrutura e serviços. A solução realiza coleta e correlação contínua de dados, oferecendo visibilidade em tempo real, acompanhamento de servidores, redes e bancos de dados, além de recursos de monitoramento de segurança, alertas, dashboards e integrações com sistemas corporativos. Acesse a página ou fale com um de nossos especialistas! 

Conclusão 

A observabilidade se tornou uma estratégia relevante para empresas que precisam administrar ambientes de TI cada vez mais complexos. Ao combinar métricas, logs e traces com coleta estruturada, correlação, dashboards, alertas e processos de resposta, as equipes conseguem ir além da simples identificação de uma falha e obter informações para investigar seu contexto e suas possíveis causas. 

O resultado é uma operação mais orientada por dados, com maior visibilidade sobre infraestrutura e aplicações e melhores condições para responder a incidentes e otimizar o desempenho dos ambientes. 

Gostou do conteúdo? Continue navegando pelo blog da Trade Technology e confira outros materiais sobre cibersegurança, análise e desenvolvimento de sistemas, infraestrutura de TI, LGPD, governança e transformação digital. Até a próxima! 

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Arlem de Bairros Mota é Coordenador de Suporte e Projetos de Infraestrutura na Trade Technology. Graduado em Engenharia de Software e Administração, com MBA em Gestão de Projetos, possui experiência em operações de infraestrutura de TI, sustentação de ambientes corporativos e gestão de projetos tecnológicos, atuando na implementação, modernização e otimização de soluções para garantir desempenho, disponibilidade e continuidade dos serviços.

Em seus conteúdos, compartilha conhecimentos sobre infraestrutura de TI, cibersegurança, segurança da informação, gestão de projetos, operações de tecnologia, continuidade de negócios e boas práticas para fortalecer a eficiência, a resiliência e a proteção dos ambientes corporativos.

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